Cinomose em Cães: Os 5 Sintomas que Todo Dono Deve Saber

A cinomose canina é uma das doenças virais mais temidas por tutores e veterinários. Altamente contagiosa e com um prognóstico frequentemente reservado, o vírus da cinomose (CDV) ataca múltiplos sistemas do organismo do cão, sendo os sistemas respiratório, gastrointestinal e nervoso os mais visados. A chave para a sobrevivência e para minimizar sequelas reside no reconhecimento precoce. Entender os sintomas da cinomose é a sua primeira e mais poderosa linha de defesa.

Nós do Vem Caomigo dedicamos este guia completo a dissecar cada fase e manifestação dessa enfermidade devastadora. A cinomose não se apresenta de forma única; ela imita muitas outras doenças, o que torna o diagnóstico diferencial crucial. Um cão pode apresentar apenas um sintoma leve ou progredir rapidamente para quadros neurológicos graves. Por isso, a atenção aos detalhes, mesmo aqueles que parecem triviais, pode salvar a vida do seu melhor amigo. A vacinação correta é o pilar da prevenção, mas o conhecimento sobre os sinais de falha vacinal ou infecção é vital.

Muitas pessoas confundem os estágios iniciais da cinomose com um simples resfriado ou dor de estômago. Essa demora no reconhecimento atrasa o tratamento de suporte essencial. Vamos mergulhar nas fases clínicas para que você saiba exatamente o que procurar no seu pet.

sintomas da cinomose

As Fases da Cinomose: Como o Vírus Evolui

O vírus da cinomose tem um período de incubação que varia de 3 a 6 semanas após a exposição. Uma vez instalado, ele se multiplica nos linfonodos e, em seguida, invade órgãos vitais. A doença é classicamente dividida em fases, embora nem todos os cães apresentem todas elas:

Fase 1: Sintomas Iniciais e Sistêmicos

Esta é a fase mais “inesperada” e onde a confusão com outras enfermidades é maior. Os sintomas da cinomose nesta etapa são vagos e sistêmicos:

  • Febre Prolongada: Um dos primeiros sinais. A febre é alta e recorrente, não respondendo bem aos antitérmicos comuns (nunca medique seu cão sem orientação veterinária, relembre como identificar sinais de febre em animais).
  • Sinais Respiratórios: Tosse seca que evolui para secreção nasal e ocular. A secreção nasal pode ser clara inicialmente, tornando-se espessa, amarelada ou esverdeada.
  • Sintomas Gastrointestinais: Vômito e diarreia, muitas vezes levando à desidratação. A perda de apetite (anorexia) é comum e leva ao emagrecimento rápido.
  • Sinais Oculares: Inicialmente, pode haver conjuntivite, com olhos vermelhos e lacrimejamento. Em casos mais graves, pode ocorrer ceratoconjuntivite seca (olhos muito secos) ou úlceras na córnea.

Fase 2: Sintomas Dermatológicos e Imunossupressão

O vírus da cinomose ataca o sistema imunológico, deixando o cão vulnerável a infecções secundárias. Nesta fase, a baixa imunidade pode se manifestar de formas surpreendentes:

  • Hiperqueratose (Endurecimento dos Coxins): Este é um sinal clássico, embora nem sempre presente. As almofadinhas das patas e o focinho ficam duros e rachados, dando a aparência de “unha” ou couro. É um indicativo de que o vírus já progrediu consideravelmente.
  • Infecções Secundárias: O cão pode desenvolver piodermite (infecções de pele) ou, notavelmente, infecções otológicas. Se o seu pet está demonstrando sinais de dor de ouvido, investigue sempre outras possibilidades além da rotina, como a otite em cachorro, mas mantenha a cinomose em mente.

A Manifestação Neurológica: O Estágio Mais Crítico

Quando o vírus consegue atravessar a barreira hematoencefálica e atingir o sistema nervoso central (SNC), o prognóstico se torna significativamente mais grave. Esta fase pode ocorrer semanas ou até meses após a resolução dos sintomas iniciais, ou pode surgir logo em seguida.

Sintomas Neurológicos Típicos

A encefalomielite causada pelo CDV gera uma série de manifestações neurológicas que exigem intervenção imediata:

  • Mioclonias (Tiques Nervosos): São contrações musculares involuntárias, espasmódicas e rítmicas, frequentemente vistas na cabeça ou nas patas. Podem ser confundidas com tremores leves, mas são mais intensas e repetitivas. Um cão apresentando tremores deve ser avaliado, pois pode ser sinal de cinomose, ou outras condições como problemas metabólicos ou intoxicação (como no caso de administração de paracetamol para cachorro, que é fatal).
  • Convulsões: Podem ser focais ou generalizadas. A frequência e intensidade das crises convulsivas indicam o grau de comprometimento cerebral.
  • Paralisias e Descoordenação Motora (Ataxia): O cão pode andar cambaleando, parecer “bêbado” ou ter dificuldade em se levantar. A fraqueza nas pernas traseiras é comum.
  • Alterações Comportamentais: Em alguns casos, há agressividade súbita, confusão mental ou até mesmo cegueira (devido ao dano no nervo óptico).

É fundamental ressaltar que o nervosismo ou reatividade em cães (cães reativos) não são sintomas diretos de cinomose, mas qualquer mudança neurológica brusca deve levantar suspeitas.

Diagnóstico e Ação Imediata

Se você identificar qualquer combinação dos sintomas da cinomose descritos, a primeira atitude não é tratar em casa, mas sim buscar auxílio veterinário. O diagnóstico definitivo geralmente requer exames específicos, como PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) em amostras de secreções ou sangue, ou testes sorológicos.

O tratamento da cinomose é de suporte. Não existe uma “cura” antiviral específica que elimine o vírus de forma rápida e garantida. O foco do veterinário será:

  1. Controlar a febre e a inflamação.
  2. Administrar antibióticos para prevenir ou tratar as infecções bacterianas secundárias (que são as grandes responsáveis pela mortalidade).
  3. Manter a hidratação e nutrição do animal.
  4. Utilizar medicamentos anticonvulsivantes e de suporte neurológico, se necessário.

A Prevenção é a Nossa Maior Arma

A melhor maneira de lidar com os sintomas da cinomose é nunca tê-los. A vacinação é o protocolo mais eficaz contra esta doença. O vírus é transmitido pelo contato com secreções de animais infectados, seja diretamente ou através de objetos contaminados (fômites).

Filhotes precisam de um protocolo vacinal rigoroso, iniciado após as 6-8 semanas de vida, com reforços subsequentes. Cães adultos devem receber o reforço anual da vacina polivalente (V8 ou V10), que protege contra o vírus da cinomose.

Se você tem um novo filhote em casa, garanta que ele está em dia com o calendário de vacinação e evite o contato com cães de procedência desconhecida ou que não sabemos o status vacinal, especialmente em locais de alta concentração canina (como parques ou pet shops sem controle sanitário rigoroso). Lembre-se que mesmo cães que parecem saudáveis podem ser portadores assintomáticos e transmitir o vírus.

Em conclusão, a cinomose exige vigilância constante. Os sintomas da cinomose variam drasticamente, mas a persistência de febre, secreções oculares/nasais e, sobretudo, qualquer sinal neurológico (tiques, tremores ou descoordenação) deve acionar um alerta vermelho. A rapidez na intervenção veterinária maximiza as chances de recuperação do seu cão, permitindo que ele volte a ter uma vida plena e saudável ao seu lado.

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